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Saiba tudo sobre as relações comerciais da América Latina e Caribe

Saiba tudo sobre as relações comerciais da América Latina e Caribe

O cenário das exportações e importações na America Latina e Caribe teve uma melhoria conjuntural, porém sensível, em 2017. De acordo com um relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), a perspectiva de crescimento no ano passado foi de 10% nas exportações e de 7% nas importações. A recuperação é importante, considerando-se que, no caso das exportações, é a primeira após cinco anos de retração.

Os resultados impulsionaram também o desenvolvimento econômico da região, que tem uma perspectiva de crescimento de 1,2% em 2017 e 2,2% em 2018 após dois anos consecutivos de recessão. Saiba adiante o que estimulou esses resultados.

Comoditização das exportações

Essa melhoria deve-se tanto a fatores externos quanto internos, dentre os quais podem ser destacados: maior demanda agregada dos maiores parceiros comerciais — em especial a China — aumento dos preços dos produtos básicos e menores barreiras alfandegárias dentro da própria região.

Mesmo com os números positivos em um ambiente político e econômico incerto, o comércio na América Latina e Caribe sustenta vícios que deixam os países vulneráveis e dependentes de grandes parceiros comerciais.

Com a tendência de maior fechamento da economia dos Estados Unidos e uma baixa demanda na União Europeia — o crescimento das exportações para o bloco foi de apenas 6% em 2017 —, o interesse por commodities se concentra na China e em outros países asiáticos.

Uma saída recomendada tanto pela CEPAL quanto pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) é o fortalecimento das relações comerciais entre os países da América Latina e Caribe. No entanto, essa mudança requer a adoção de políticas firmes e coordenadas para a abertura comercial.

O contexto das relações comerciais na América Latina e Caribe

A cesta de exportação dos países da América Latina e Caribe é composta principalmente por produtos básicos e matérias-primas — também conhecidos como commodities. Itens como açúcar, café bruto, grãos e farinha de soja, milho e proteína animal — como carne bovina congelada — são a força comercial da região.

Por outro lado, o desempenho no comércio de produtos mais elaborados ou beneficiados — que têm maior valor agregado e poderiam estimular um maior superávit na balança comercial — é fraco. Esse é um quadro histórico que começou a ser revertido nas últimas décadas, mas que ainda requer esforços concentrados.

A América Latina, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), é a maior exportadora líquida de alimentos para o mundo desde o início dos anos 2000. A expectativa é que o comércio líquido de produtos agrícolas na América Latina represente US$ 60 bilhões até 2024.

A América do Sul responde pela maior fatia das exportações agropecuárias, com 80% do total. Em seguida, o México aparece com 11%, a América Central com 7% e o Caribe com apenas 1%.

O Brasil conseguiu uma forte inserção no contexto regional a partir de 2004, quando o volume de exportações para os países da América Latina e Caribe aumentou 53,48%, saindo de US$ 14,8 bilhões para US$ 22,8 bilhões. Entre 2016 e 2017, a variação foi de 17,1%, chegando a US$ 43,7 bilhões, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

As vendas regionais não são apenas números, mas oportunidades para a comercialização de bens de maior valor agregado. Veículos automotores de diversos portes, tratores, chassis e produtos semimanufaturados de ferro e aço estão entre os produtos mais exportados do Brasil para a região.

Em relação ao comércio de serviços modernos — que inclui TICs, serviços financeiros e seguros — a relevância dos países latino-americanos e caribenhos é marginal. A participação da região nas exportações globais de serviços em 2016 foi de 3,1%, enquanto nas exportações de bens foi de 5,6%.

O fortalecimento das relações comerciais na América Latina e Caribe

Apesar de as tarifas de importação na região terem caído de 12% para 6% desde o fim da década de 1990, outras medidas são necessárias para fortalecer o comércio, sobretudo porque nações-chave — incluindo o Brasil — ainda são apontadas como mercados fechados para bens e serviços.

De acordo com um levantamento recente com base em dados do Banco Mundial acerca de 161 países, o Brasil é o segundo mais fechado do mundo para o comércio exterior de bens e serviços.

A relação da importação e exportação de produtos com o PIB entre 2009 e 2015 foi de 24%, maior apenas do que Mianmar (22%). Mesmo a vizinha Argentina (31%) e mercados similares, como Índia (50%) e África do Sul (60%) são considerados mais abertos.

Uma das principais razões são as taxas de importação e exportação, mas existem outras. Confira algumas recomendações de órgãos internacionais para a abertura e liberalização dos mercados da América Latina e Caribe.

Integração regional

A criação de cadeias de valor regionais poderiam fortalecer o desenvolvimento tecnológico e garantiriam mais espaço no comércio exterior para empresas de menor porte. Hoje, há um complexo sistema de acordos bilateriais, cada um com regras próprias, que dificultam a entrada de novos negócios no processo de exportação e importação.

A celebração de um acordo regional de comércio seria ideal, mas, enquanto isso não acontece, as nações poderiam simplificar as regras bilaterais e eliminar barreiras tarifárias e não-tarifárias, fortalecendo os vínculos comerciais entre si.

Políticas comerciais não-tarifárias

Questões como regras de investimento e políticas de concorrência entre empresas da região podem facilitar os investimentos e desenvolver as cadeias de produção além das fronteiras. Enquanto as negociações de comércio tradicionais focam nas questões aduaneiras e tarifárias, esforços de cooperação em normas regulatórias, facilitação dos negócios e conectividade na região são maneiras de reforçar as relações comerciais.

Infraestrutura

O desenvolvimento da infraestrutura dos países é o principal caminho para a redução dos custos logísticos. De acordo com um relatório do FMI, esse é o principal obstáculo enfrentado pelos atores regionais para a integração do comércio com outros países.

Com a redução dos custos comerciais associada a uma infraestrutura moderna, as cadeias de produção podem ser facilmente integradas, estimulando exportações com alto valor agregado.

Apoio aos trabalhadores e redes de proteção social

Um dos principais receios dos países em relação à abertura comercial é a ausência de proteção às indústrias locais, em geral menos competitivas, e aumento do desemprego e da miséria. Como a região já concentra uma alta taxa de desigualdade, surge o desafio de gerar integração regional e garantir a distribuição da renda.

A abertura comercial não necessariamente terá impacto na desigualdade de renda agregada, fenômeno que conta com outros fatores por trás. No entanto, existe um impacto entre os setores e, mesmo que a economia como um todo seja beneficiada, algumas indústrias sentirão os efeitos negativos da abertura.

Uma maneira de mitigar esses efeitos é criar formas de distribuir o comércio a partir de políticas para o mercado de trabalho e redes de segurança social. Administrados os impactos negativos da abertura, cresce o apoio às políticas de livre comércio.

Descomoditização das exportações

Embora a região seja a maior exportadora de alimentos, o comércio exterior depende fortemente do desempenho das commodities, enquanto produtos de maior valor agregado têm participação pequena ou insignificante. Se os preços dos produtos básicos despencam no mercado internacional, a balança comercial da América Latina e Caribe é penalizada.

O principal motivo pelo qual houve um crescimento nas exportações em 2017 foi o preço das commodities e não o volume. Se os países da região ampliarem as exportações de produtos beneficiados competitivos no mercado externo, o valor das exportações tende a aumentar. Não é uma medida de curto prazo, uma vez que há um forte protecionismo em alguns mercados-chave, como Estados Unidos.

Liberalização unilateral

Os esforços para a integração regional não prescindem dos acordos comerciais com outros países. A abertura unilateral dos países da América Latina e Caribe pode ser conciliada com a integração do bloco, especialmente em nações onde há fortes barreiras para bens intermediários e obstáculos de ordem não-tarifária.

A America Latina e Caribe constituem uma região com forte potencial econômico, mas que ainda carece de maior integração e mudança no perfil das exportações. Para modificar esse padrão e estimular o desenvolvimento econômico, os países devem adotar medidas de abertura comercial tanto de ordem tarifária quanto não-tarifária. Também é fundamental superar gargalos sérios, como burocracia extrema para fazer negócios e infraestrutura precária.

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